A queda é o evento que mais muda a trajetória de um idoso. Cerca de um terço das pessoas acima de 65 anos cai pelo menos uma vez por ano, e a fratura de fêmur é o desfecho mais temido — não só pela cirurgia, mas pela perda de mobilidade e independência que costuma vir depois.
A boa notícia é que a maior parte dos fatores de risco é modificável.
Por que idosos caem
Quedas quase nunca têm causa única. Elas resultam da soma de fatores intrínsecos (do corpo) e extrínsecos (do ambiente).
Fatores do corpo:
- Sarcopenia — perda de massa e força muscular com a idade
- Alterações de equilíbrio e marcha
- Déficit visual — catarata, glaucoma, óculos desatualizados
- Hipotensão postural — tontura ao levantar
- Neuropatia periférica, comum em diabéticos
- Comprometimento cognitivo, que reduz a percepção de risco
- Problemas nos pés — unhas encravadas, calos, deformidades
Medicamentos merecem categoria própria. Benzodiazepínicos, antidepressivos, anti-hipertensivos, hipoglicemiantes e antipsicóticos aumentam significativamente o risco. Polifarmácia — o uso de cinco ou mais medicamentos — é por si só um fator de risco independente. Revisar a prescrição com um geriatra é uma das intervenções de melhor custo-benefício que existem.
Fatores do ambiente:
- Tapetes soltos, especialmente os pequenos
- Iluminação insuficiente, sobretudo no trajeto até o banheiro
- Ausência de barras de apoio no box e ao lado do vaso
- Pisos molhados ou encerados
- Fios atravessando o caminho
- Escadas sem corrimão dos dois lados
- Calçado inadequado — chinelo solto é um clássico
O que efetivamente reduz quedas
Exercício com foco em força e equilíbrio. É a intervenção com melhor evidência. Não é caminhada leve: é treino de força de membros inferiores e treino específico de equilíbrio, feito de forma regular e progressiva. Fisioterapia e atividades como tai chi têm resultados consistentes.
Revisão de medicamentos. Especialmente a retirada gradual de psicotrópicos, sob supervisão médica.
Correção da visão. Cirurgia de catarata e atualização da prescrição de óculos. Atenção: lentes multifocais aumentam o risco de queda em escadas — muitos idosos se beneficiam de um par exclusivo para longe ao caminhar.
Vitamina D e cálcio, quando há deficiência comprovada.
Adaptação do ambiente, com avaliação de terapeuta ocupacional quando possível.
Tratamento de hipotensão postural — orientação de levantar em duas etapas, sentando na beira da cama por alguns instantes antes de ficar de pé.
Adaptações domésticas que custam pouco
- Retirar todos os tapetes soltos
- Instalar barras de apoio no banheiro e piso antiderrapante no box
- Luz noturna no trajeto quarto-banheiro, ou sensor de presença
- Corrimão em ambos os lados das escadas
- Objetos de uso diário em altura acessível, sem necessidade de banquinho
- Calçado fechado, com solado antiderrapante e contraforte firme
- Cadeira no box para banho sentado
O medo de cair também precisa de tratamento
Depois da primeira queda, muitos idosos desenvolvem medo intenso de cair novamente. O medo leva à restrição de atividade, a restrição leva à perda de força, e a perda de força aumenta o risco real de queda. É um ciclo, e ele se rompe com reabilitação supervisionada — não com repouso.
Como um residencial geriátrico atua
Uma ILPI bem estruturada trabalha a prevenção de quedas como programa, não como reação. Isso inclui avaliação de risco na admissão e reavaliações periódicas, ambiente projetado com pisos antiderrapantes, corrimãos e banheiros adaptados, iluminação noturna permanente, fisioterapia regular, revisão periódica da prescrição com o médico, supervisão nos horários de maior risco — madrugada e após o banho — e registro de todo evento em prontuário para ajuste do plano de cuidado.
A RDC 502/2021 exige que toda instituição mantenha um programa de prevenção de quedas. Peça para conhecê-lo durante a visita.
O que fazer se a queda acontecer
Não levante a pessoa imediatamente. Avalie a consciência, verifique se há dor intensa, deformidade em membro, incapacidade de mover a perna ou encurtamento com rotação do pé — sinais sugestivos de fratura. Nesses casos, acione o SAMU (192) e não mobilize.
Mesmo em queda sem lesão aparente, comunique o médico. Idosos em uso de anticoagulantes precisam de avaliação após trauma craniano, ainda que estejam bem no momento.
Na Vivência, a estrutura é adaptada e a prevenção de quedas faz parte da rotina diária. Agende uma visita e conheça o Jardim Lindóia, em Porto Alegre.
